Ideologia por trás do Nobel


Nunca prestei muita atenção ao Nobel, quem ganha, por que ganha e a ideologia por trás do prêmio.

Por sinal, eu nem sei se o título desse post é certo. Não sei se dá ou não para falar em ideologia, a partir apenas do prêmio de economia. No entanto, editando um texto sobre os ganhadores do Nobel deste ano, confesso que fiquei um pouco assustado. Isso porque a premiação vai para um estudo que defende uma política neoliberal, e que no meu modo de ver já é um pouco ultrapassada, pelo menos no que se refere à prática, mas que ainda é defendida por muitos setores da elite brasielira, por exemplo, e imagino que mundial também (mesmo porque senão fosse isso, estes pesquisadores não teriam ganho).

Quando comecei a ler sobre o estudo foi inevitável vir à minha cabeça a recordação daqueles que defendem que programas sociais como o Bolsa Família, por exemplo, “estimulam a vagabundagem”.

Leiam e tirem suas conclusões.

 

 

sobre o Nobel de Economia 2010

Um trio de pesquisadores que estudou o por que das pessoas perderem emprego foi agraciado em 11 de outubro de 2010 com prêmio Nobel de Economia.

São eles os professores Christopher A. Pissarides (62 anos), da London School of Economics and Political Science, em Londres (Reino Unido), Dale T. Mortensen (71 anos), da Northwestern University, em Evanston (EUA) e Peter A. Diamond (70 anos), do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge (EUA).

Os economistas norte-americanos Diamond e Mortensen e o cipriota-britânico Pissarides desenvolveram nos anos 1990 o que se tornou conhecido como o modelo DMP (iniciais dos seus sobrenomes), numa teoria sobre a oferta e demanda no mercado de trabalho. Os pesquisadores constataram que, ao mesmo tempo em que existe desemprego, há vagas disponíveis no mercado.

A tese dos três economistas é de que a oferta e a demanda de emprego não se encontram de forma automática, como afirmam as teorias clássicas da Economia. A relação pode ser longa e custosa, o que gera um ruído no mercado de trabalho.

De acordo com Diamond, Mortensen e Pissarides, quanto maiores os benefícios sociais do desempregado, maior é o desemprego e mais extenso é o tempo de procura de trabalho.

O caminho para estimular o mercado, sustentam os economistas, passa pela flexibilização. Entre as soluções apontadas por eles está a redução dos custos de demissão, o que, segundo o estudo, traria maior fluidez ao mercado de trabalho, auxiliando a redução do desemprego.

Christopher A. Pissarides explica o modelo DMP: “De fato, os benefícios concedidos aos desempregados podem provocar problemas estruturais bem graves nas economias dos países. Isso porque muitos trabalhadores se acomodam e assim contribuem para manter os índices de desemprego por muito tempo.

Nosso modelo é totalmente contrário ao que ocorre atualmente na França ou na Espanha, onde o Estado garante o pagamento de seguro-desemprego. Por exemplo, na Espanha, o índice de desemprego cresceu de 8% em 2007, para cerca de 21% no segundo trimestre de 2010.

Muitos países europeus cometeram erros graves com a depressão da economia e a concessão de benefícios. Os países emergentes devem tomar essa situação como exemplo para evitar repetir os mesmos erros. Alguns incentivos podem ser importantes para os trabalhadores quando os países estão crescendo, mas quando os países emergentes atingirem outras fases de crescimento, esses benefícios podem ser perigosos.”

 

2 thoughts on “Ideologia por trás do Nobel

  1. Não concordo com a teoria funcionando como regra caro amigo, mas que existem muitas pessoas que utilizam do seguro desemprego durante 6 meses e não produzem nada, isso existem.

    Eu mesmo conheço duas pessoas próximas que estão em pleno desenvolvimento dessa ideia. Largaram o trabalho, vão procurando outro na maciota, e só voltam quando acabar o seguro.

    Já recebi também, retroativo, durante 3 meses, graças ao processo contra meu ex-chefe que me deve salários, porém trabalhava sem carteira assinada na mesma época, portanto produzindo.

    É um direito adquirido dos trabalhadores, mas há de se criar um incentivo para que eles voltem a trabalhar antes desse tempo, mesmo informalmente, para que não se acomodem.

    Afinal, mais que produzir para as riquezas do país, o indivíduo tem que pensar no seu próprio benefício também, e sinceramente, viver com apenas R$572 por mês é tenso!

  2. Dê Luíse diz:

    Devo discordar do senhor acima. Batem na cara do trabalhador e querem que ele sorria e peça desculpa ainda por cima. Tem que acabar é com essa ideia de que somos burros de carga, que não merecemos benefícios. Que trabalhar 14 horas por dia é coisa normal, porque afinal alguém precisa fazer o país crescer. Vamos trabalhar até 20 horas por dia? Vamos! Vamos sim! Mas com salários descentes e proporcionais.

    Podem ter a certeza de que a maioria dos que recebem seguro desemprego precisam mesmo disso, que não teriam como sustentar família se não fosse tal recurso. Enquanto isso, os pachás donos de grandes empreendimentos lucram zilhões de vezes mais que um mero trabalhador.

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