Ornette Coleman – Free Jazz


 

Confere!

 

Ornette Coleman, sobre o disco Free Jazz

“O objectivo era fazer falar os nossos instrumentos como falavam, talvez, os nossos antepassados antes da invenção da linguagem. Para tal usei um duplo quarteto: dois saxofones, duas trompetes, dois contrabaixos e duas baterias que dialogavam. No disco (Free Jazz, 1960) ouvimos um quarteto num canal e o segundo no outro. Em Free Jazz, um tema de 37 minutos e 3 segundos, a noção de virtuosismo desaparecia em favor da mensagem: o que era acidental transformava-se em nova possibilidade sonora. Os barulhos, os efeitos da respiração, os sopros das palhetas eram explorados, trabalhados. Cada instrumento tornava-se um prolongamento da voz e do corpo. Todas as nuances emocionais da voz- gritos, gemidos- eram expressos de forma livre. Os instrumentos rítmicos podiam revelar as suas qualidades melódicas: os bateristas exploravam todos os timbres, serviam-se deles como notas, formando um discurso. Os contrabaixos exibiam a sua riqueza lírica sem ficarem presos ao papel de instrumento suporte. Durante esse tempo, as trompetes e os saxofones exploravam os ritmos. Ao tocar este tema éramos transportados para uma espécie de fusão reptilínea, um equivalente das action paintings de Pollock. Aliás, a capa do disco tinha uma reprodução de um dos seus drippings intitulado White Light. Era, não uma anarquia total, mas uma coacção aberta, já que, na base, nós seguíamos uma partitura.”

Ornette Coleman em depoimento para revista L’Express, Agosto 2006

 

 

 

Ornette Coleman, sobre a sua música.

“Lembro-me também de uma ilustração no Herald Tribune, representando um empregado que deixava cair uma bandeja cheia de copos e uma mulher que exclamava: ‘Olha, querido, o Ornette está a tocar a nossa canção preferida!’. Acusavam-me de não saber tocar, de não conhecer nem gamas nem harmonia, nem as regras do be-bop. Baptizaram a minha música como free-jazz, ou seja, algo como ‘uma coisa qualquer’. O proprietário deixou-nos ficar. Na terceira noite, para minha grande surpresa, vi o Leonard Bernstein: subiu ao palco, deu-me um beijo, pegou no microfone e declarou que a nossa música era a coisa mais interessante que ouvia desde as inovações de Charlie Parker e Thelonious Monk nos anos 40. E sussurrou-me ao ouvido: ‘Meu caro, mais vale ser cruxificado que morrer de tédio. Por outras palavras, a cruxificação dar-lhe-á a eternidade.’ E foi assim que os meus concertos se tornaram um encontro da intelligentsia nova-iorquina. Rauschenberg chamou-me o ‘pintor musical do expressionismo abstracto’ e John Cage elogiou a ‘vox humana’ do meu sax. Houve quem se recusasse a chamar free jazz à minha música e substituíram esta expressão por the New Thing. A expressão free jazz deu aliás lugar a um equívoco: no dia de um concerto no Ohio, intitulado Free Jazz Concert, apareceram 5 mil pessoas pensando que era um concerto gratuito!”

Ornette Coleman em depoimento para revista L’Express, Agosto 2006

 

 

ORNETTE COLEMAN
QUANDO sáb., 27/11, às 21h30; e dom., 28/11, às 18h30
ONDE Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, Pinheiros, tel. 0/xx/ 11/3095-9400)
QUANTO R$ 40
CLASSIFICAÇÃO 12 anos


 

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