Meias verdades sobre o carnaval


Sim, sim, algumas críticas fazem muito sentido, sendo meias verdades sobre alguns tipos de carnavais que existem hoje em dia (no caso, principalmente os midiáticos e as festas privadas que se travestem de “populares”).


A jornalista Rachel Sheherazade trata de muitos pontos em sua fala, tentando abarcar, em menos de 4 mim, o conceito de carnaval até as  consequências do feriado para a sociedade. Só podia dar merda.

Me incomodou bastante quando ela fala das mortes em estradas e outros tipos de violência. Neste ponto, também concordo em parte com a moça, e digo em parte, pois tais questões também devem ser vistas de forma ampla, sem criminalizar estritamente o folião. Exemplo? Vejam a fala da polícia federal e dos jornais que repercutiram o número recorde de mortos em estradas federais neste carnaval. O termo mais repetido: imprudência, imprudência e imprudência. Sim, a imprudência existe, mas o que dizer da condição das estradas? Nesse período, o mais grave acidente ocorreu em Santa Catarina, deixando 27 mortos, após o choque frontal de um caminhão com um ônibus de passageiro, fato que aconteceu pela tentativa de se desviar de um buraco na estrada. Ou seja, dos 189 mortos registrados em estradas federais, pelos menos 27 são de estrita culpa do governo que simplesmente não oferece infraestrutura e fiscalização para dar conta do deslocamento de pessoas durante estes tipos de festas.

Enfim, estou repercutindo apenas um ponto da fala da moça aí. Repito que ela expõe meias verdades, e confesso que me irrita essa mania típica de jornalista de abordar de forma restrita o que é amplo, e de forma generalista o que é particular. Resumindo, essa mania de distorcer os fatos.

 


2 thoughts on “Meias verdades sobre o carnaval

  1. O que você chama de meias verdades? Fora a questão das estradas – sobre a qual você está coberto de razão na questão de responsabilidade governamental pela falta de manutenção e estrutura, apesar de desonerar gente EVIDENTEMENTE BIZARRA, BÊBADA E IRRESPONSÁVEL NO TRÂNSITO – ficou meio vago. Pra mim, ficou com cara de verdade E MEIA o que ela disse.

    • Cara, vamos deixar de lado essa questão do carnaval ser ou não uma festa genuinamente, fato que ela contesta de forma errada na minha opinião, porque o genuíno não se refere ao local de origem da festa, mas sim ao fato dela ser algo profundamente enraizada na nossa cultura, tanto a popular, quanto a de elite. Aí, não há nada de verdade na fala dela.
      Quanto ao questionar o cunho popular do carnaval, daí digo que se trata de uma meia verdade. Sim, há tipos de carnavais que se enquadram perfeitamente no que ela disse: festas pagas e caras, voltadas para poucos, mas travestidas de popular, e que rendem dinheiro pra poucos. Mas pera lá… não dá pra generalizar, tanto nas cidades quanto no interior há incontáveis tipos de festas, blocos e outros tipos de manifestações que ainda não foram, e nem sei se serão, tomadas por essa lógica.
      Mesmo porque o carnaval é o que é (popular) pq é tempo de festejar, ou seja, mesmo quem odeia carnaval pode curtir o carnaval, festejar, ao seu modo, e é por isso que é popular, é acessível para que cada um faça o que bem quiser.
      Sendo assim, tudo o que ela fala sobre trios elétricos, quem paga, quem ganha, o que se toca, quanto custa, enfim, toda a lógica bizarra para manutenção dessas festas estilo Band Folia, Brahma sei la o quê, Skol bla bla bla, tudo isso é verdade, mas se aplica a um tipo de carnaval.
      O meu carnaval, por exemplo, começou com um bloco afro no centro de são paulo, popular, aberto e acessível a todos, e terminou numa quase festa em campos do Jordão, debaixo de um puta frio e chuva (cilada! rs…). E aí? O que ela tem a dizer sobre isso? Foi (e foi!) carnaval do mesmo jeito.
      Quando eu digo que ela expõe meias verdades restringindo o que é amplo, e generalizando o que é particular, falo porque imagino que para escrever esse artigo ela deve ter tido como inspiração apenas as notícias que ela vê na TV (boa parte distorcida) e a imagem dos foliões que devem passar diante da janela da casa dela, situada em algum lugar de classe média alta do nordeste. Saca? Típico jornalista querer pincelar algumas imagens e fatos, e a partir daí dizer “grandes verdades”.
      Agora, não to querendo só esculachar a moça não. Ela tem razão em falar da diferença da ação pública voltada para as elites em tempos de carnaval, e a mesma dirigida para população pobre em tempos de trabalho. Mandou bem em falar disso.

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